
Edson Davi, micaelense nato, tem um trabalho especial nas horas vagas, a xilogravura – arte da gravura em madeira. O artista conta que o trabalho artístico pode ser aliado no tratamento de doenças mentais e cita a Nise da Silveira, psiquiatra brasileira que acreditava e realizava nos hospitais psiquiátricos. “Dessa forma, a arte em minha vida é mais do que uma forma de renda extra, é a maneira como me expresso e me transformo como ser humano – em outras palavras, uma terapia em forma de arte.” diz.

O interesse na xilogravura surgiu ainda quando fazia o curso de graduação em psicologia. Uma vez um de seus professores revelou que um de seus hobbies era a arte da xilogravura e, logo em seguida, percebeu o interesse que se nutria por esse trabalho. Porém, nesse período não pode se dedicar devido à correria dos estudos e outras atividades que realizava na época. Com efeito, após o fim da faculdade e o quase imediato advento da pandemia, resolveu se aventurar no mundo da xilogravura. A princípio, as primeiras artes não saíram como esperado, mas insistiu até sair o primeiro quadro.
A procura por sua arte surgiu quando o artista apresentou a um amigo com um dos seus quadros e posteriormente publicou uma foto nas redes sociais.
A técnica que o Edson usa no Xiloquadros é diferente da tradicional xilogravura. Isso porque, na arte tradicional, o desenho é esculpido na madeira, chamada de matriz, e depois pintada com uma tinta específica. Posteriormente, a madeira é utilizada como um carimbo que carimba em uma folha própria da xilogravura o desenho, e é nessa folha que a gravura fica impressa e é entregue a quem solicitou a arte. Por outro lado, a técnica utilizada não retira o desenho da madeira, eu entrego a imagem pintada e desenhada na matriz para o comprador. Daí o nome do Projeto Xiloquadros, pois entrega a xilogravura propriamente na madeira, sendo uma espécie de quadro de madeira.

No decorrer do tempo que ia desbravando esse novo mundo, Edson teve oportunidades de conhecer obras de artistas da região, dentre eles: J Borges e Bacaro Borges (pai e filho), ambos pernambucanos, foram os que incentivaram indiretamente a continuar me aperfeiçoando. Apesar de terem em comum a qualidade nas produções, os estilos se diferenciam bastante no processo criativo.
Em 2021, foi selecionado no “Festival Cores do Interior” pela ONG Amigos da Pinacoteca, em Mossoró, para apresentar um dos seus quadros intitulado: “Isolamento no sertão”, junto com demais artistas da região também selecionados para esse encontro. Foi convidado também para o “Sarau Literário da Escola Estadual João Paulo II”, em Mossoró, de forma virtual, junto com o poeta e cordelista Antônio Francisco, onde apresentou o seu trabalho como xilogravador e ressaltar a importância desse profissional para a cultura e arte nordestina. Além disso, participou da “Segunda Feira de Artes e Literatura na Praça” em São Miguel, sendo a segunda vez que expôs seus quadros ao público pessoalmente.

Em seus trabalhos, Edson gosta de desenhar quadros que tenham uma temática da cultura do Nordeste – seja o dialeto do dia a dia, a comida típica, o sertão ou as paisagens das cidades do interior. Usa muito como referência Ariano Suassuna, poeta e dramaturgo brasileiro, que nutria uma paixão muito grande pela cultura da nossa região e são esses mesmos passos que deseja seguir como profissional e como cidadão.
Edson conta que vida de artista não é nada fácil, para finalizar um quadro leva um dia inteiro. Além disso, encontra dificuldade na escassez de eventos culturais que promovem feiras de artes e exposições das obras dos artistas na nossa região. “Eu concordo com aquela frase popular: “quem não é visto, não é lembrado e, dentro do mundo da arte, é essencial que o artista tenha seus trabalhos vistos para que haja procura.” Complementa. De fato, é desmotivador para o artista continuar trabalhando quando não há incentivo por parte dos líderes públicos.
Edson relata que independente das barreiras que encontrar no mundo da arte, esse caminho é sem volta, “me apaixonei e não arredo o pé” diz. Futuramente pretende abrir uma galeria onde possa expor seus trabalhos com temáticas além da cultura nordestina, que abordem o tema da saúde mental, de forma que possa falar sobre a marginalização e o preconceito sobre as pessoas que sofrem de problemas mentais, pretende aliar a psicologia social às obras nos próximos anos.
Desejamos ao Edson Davi, todo o merecido sucesso, e colocamos nosso espaço cultural à disposição da sua arte. Parabéns pelo belo trabalho.





